Senado aprova abono natalino para seringueiros que trabalharam na 2ª Guerra
A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Sendo aprovou nesta terça-feira (30) projeto que garante abono natalino aos chamados “soldados da borracha“, seringue
A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Sendo aprovou nesta terça-feira (30) projeto que garante abono natalino aos chamados “soldados da borracha“, seringueiros que trabalharam na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial.
O pagamento do benefício será anual, realizado até o dia 20 de dezembro de cada ano, e terá o mesmo valor da pensão mensal já definida em lei, de dois salários mínimos (equivalente hoje a R$ 3.242). Por tramitar de forma terminativa, a matéria poderá seguir diretamente para a análise da Câmara dos Deputados, se não houver recurso para a votação no plenário do Senado.
Leia Mais:
-
Lula pede ofensiva sobre Alcolumbre por pauta governista
-
Moraes arquiva ações contra políticos do PL por incitação ao 8 de Janeiro
-
Lula se reúne com Teresa Leitão, nova líder do governo no Senado
Os saldados da borracha foram um grupo de cerca de 60 mil trabalhadores recrutados para trabalhar na Amazônia entre 1943 e 1945. A função deles no esforço de guerra foi aumentar a produção de borracha para os países aliados durante a Segunda Guerra.
O custo do abono natalino é estimado em R$ 17,3 milhões para 2026, “com valores muito próximos para os anos de 2027 e 2028”, de acordo com o relator, senador Alan Rick (Republicanos-AC). Para ele, a “gratificação [natalina] já é parte da cultura financeira do país e deixar os soldados da borracha apartados dessa realidade não se mostra razoável”.
No parecer, Alan Rick argumenta que a proposta equipara um direito dado aos brasileiros ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, conhecidos como “pracinhas”, que recebem o abono anual, enquanto os soldados da borracha não tiveram o mesmo benefício.
“A vida do seringueiro era muito difícil: esses homens saíam pela madrugada para abrir o caminho da seringa, porque todos sabem que, na Amazônia, a seringueira é uma árvore nativa”, afirmou Alan Rick durante a sessão da CAE.
O projeto original é do senador Confúcio Moura (MDB-RO) e foi apresentado em 2023. De acordo com ele, a tendência é que o custo para os cofres públicos diminua com o tempo. A justificativa do projeto cita que, conforme o Boletim Estatístico da Previdência Social, houve uma queda de aproximadamente 11.500 para 6.500 beneficiários entre 2013 e 2023.
A estimativa do senador é que haja uma redução no quantitativo dos beneficiários de 5% ao ano. O beneficiário mais jovem possui 85 anos e não há novos ingressantes no benefício desde 2015, apenas a transferência da pensão para os dependentes, em face do falecimento dos soldados, que já têm idade avançada.
A assistência aos chamados soldados da borracha foi inicialmente prevista em um decreto de 1946, publicado após a Segunda Guerra. A norma, no entanto, só foi regulamentada depois de instituída a Constituição de 1988. A Lei do Seringueiro é de 1989 e estabelece a pensão mensal vitalícia.
Em 2014, o Congresso também aprovou uma emenda constitucional que garantiu uma indenização única de R$ 25 mil. O pagamento contemplou cerca de 12 mil beneficiários e dependentes, em desembolso do governo federal estimado em R$ 289 milhões.
Comentário enviado! Ele será exibido após aprovação.