Punido pelos EUA usou 73 empresas para lavar R$ 10 bi do tráfico de haxixe

Punido pelos EUA usou 73 empresas para lavar R$ 10 bi do tráfico de haxixe

4 min de leitura 5 visualizações Fonte original

Líder de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões do Primeiro Comando da Capital (PCC), coordenador logístico e responsável pelo controle financeiro da trama, Vic

Líder de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões do Primeiro Comando da Capital (PCC), coordenador logístico e responsável pelo controle financeiro da trama, Victor Henrique de Oliveira Shimada, o primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por vínculo com a facção, estruturou um vasto arcabouço com 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar cifras bilionárias do tráfico de drogas, especialmente de haxixe, segundo a Polícia Federal.

Shimada é o principal alvo da Operação Exchange, que foi às ruas nesta sexta-feira, 3, para prender 11 suspeitos e cumprir 13 mandados de busca e apreensão contra um núcleo financeiro do PCC.

A reportagem busca contato com a defesa de Shimada. O espaço está aberto para manifestação.

Na quarta-feira, 1º, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Shimada, sua secretária, Stella Stefanie Nunes, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas.

Leia também

O Estadão apurou que a Polícia Federal estava no encalço dos suspeitos havia semanas. A PF já havia representado à Justiça pela decretação da prisão de Shimada e dos outros investigados antes da sanção americana aos supostos aliados do PCC. Todos os alvos estavam sob monitoramento. Os investigadores avaliam que a divulgação dos EUA sobre a sanção prejudicou o trabalho de campo e precipitou a operação.

As 73 empresas utilizadas por Shimada foram bloqueadas por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A medida também determinou o bloqueio e sequestro de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527.419,19, de forma solidária, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas na investigação.

Durante as apurações, a PF constatou que Victor Shimada utilizava as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar, ocultar e dissimular recursos do PCC.

A investigação da Polícia Federal reúne análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis que apontam movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada.

Segundo os investigadores, a empresa Hi Quality, que não possui empregados registrados, foi citada em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Já Victor Shimada aparece em dezenas de registros envolvendo valores expressivos.

Os documentos também indicam o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos, incluindo uma planilha de controle atribuída a um usuário identificado como Harry Thompson, também referido como Bryan Willians, apontado como vulgo de Shimada, em grupo de WhatsApp, com registros de operações descritas sob o campo “TOKEN”, reunindo dados sobre valores, câmbio, cidades e saldos, além de movimentações estimadas em US$ 7,5 milhões em cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.

Leia também

Os operadores do esquema também tinham forte atuação no ramo de criptomoedas. A diversificação dos recursos por meio de criptoativos é evidenciada, segundo a PF, em conversa na qual Ygor Fokin, apontado como um dos líderes do esquema de lavagem e tráfico de drogas ao lado de Shimada, discute com ele a utilização do token “ERC” e diferentes formas de alocação de valores.

No diálogo, são usadas referências cifradas como “branca”, “verde” e “azul” para indicar modalidades de investimento, além de expressões que indicam preocupação com rastreamento, como na mensagem: “Por isso bom sempre passar a gnt vai trocando moeda papel wire e cripto”.

The post Punido pelos EUA usou 73 empresas para lavar R$ 10 bi do tráfico de haxixe appeared first on InfoMoney.

Fonte original: https://www.infomoney.com.br/politica/punido-pelos-eua-usou-73-empresas-para-lavar-r-10-bi-do-trafico-de-haxixe/
Salvar WhatsApp X

Comentários

Seja o primeiro a comentar!

Entre na sua conta para comentar.

Entrar Criar conta

Leia também

Próxima notícia

03 de jul. de 2026

Morre Totonho, um dos fundadores do grupo Raça, aos 69 anos

Fique por dentro das notícias

Receba os melhores conteúdos diretamente no seu e-mail.

💡 Sugestões