Os novos passos da bailarina Ingrid Silva
Ingrid Silva trabalhou 18 anos no Dance Theatre of Harlem: primeira bailarina Leo Pinheiro/Valor Após encerrar, em maio, um ciclo de 18 anos no Dance Theatre of

Ingrid Silva trabalhou 18 anos no Dance Theatre of Harlem: primeira bailarina Leo Pinheiro/Valor Após encerrar, em maio, um ciclo de 18 anos no Dance Theatre of Harlem, nos Estados Unidos, a bailarina brasileira Ingrid Silva vem ampliando sua atuação para além dos palcos. Conhecida pela carreira construída na companhia nova-iorquina, onde chegou ao posto de primeira bailarina, Silva, agora, aos 38 anos, dedica mais tempo a projetos como coreografia, palestras e empreendedorismo. “A companhia foi um lugar muito especial, onde construí minha jornada profissional, minha visibilidade e meu desenvolvimento artístico. Mas também existem tantas outras coisas incríveis que venho fazendo ao longo dos anos e que a rotina da companhia não me permitia explorar da forma que eu gostaria”, afirmou ao Valor. Em 2026, Silva vem ampliando sua presença em eventos internacionais. Em maio, participou do Brazil Forum UK, realizado na Universidade de Oxford, e foi a única brasileira convidada para o Brilliant Minds, encontro realizado na Suécia em junho, que reúne lideranças dos setores de negócios, cultura, tecnologia e impacto social. A artista dividiu espaço com nomes como a atriz Lupita Nyong'o, a pesquisadora e escritora Brené Brown, o estilista Daniel Roseberry, a empresária Sara Blakely e o cantor Daddy Yankee. “São espaços importantes para discutir arte e cultura. O Brasil ocupa um espaço gigantesco fora de si e tem um talento imenso. Então quando você fala sobre arte, eu acho que tem tudo a ver e até meio que tira o pessoal do foco de que é o país do futebol e do Carnaval. É muito mais”, disse. Natural de Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, Ingrid Silva começou no balé aos 8 anos por meio do projeto social Dançando para Não Dançar, na Vila Olímpica da Mangueira. Aos 17 anos, ingressou no Grupo Corpo e, em 2007, mudou-se para Nova York após ser aprovada em uma audição para o Dance Theatre of Harlem. Em 2011, passou a integrar o corpo principal da companhia e se tornou uma das poucas bailarinas negras a ocupar o posto de primeira bailarina em uma das mais tradicionais companhias de dança dos Estados Unidos. Nos últimos anos, a artista ampliou sua atuação como escritora, palestrante e ativista. Autora da autobiografia “A Sapatilha Que Mudou Meu Mundo”, lançada em 2021, e do livro infantil “A Bailarina Que Pintava Suas Sapatilhas”, publicado em 2023, Ingrid Silva trabalha também no desenvolvimento de uma marca própria voltada ao mercado da dança. O principal projeto é uma linha de meias-calças em diferentes tonalidades de pele, iniciativa que vem sendo desenvolvida há cerca de cinco anos e financiada com recursos próprios. “O bailarino deve ser múltiplo. Ele precisa pensar na vida após a dança. O palco, ele é um lugar incrível e espetacular, mas a gente sempre tem que ter um plano B”, afirmou. Para os próximos anos, a bailarina pretende ampliar sua presença no Brasil, consolidar sua marca e seguir atuando em projetos ligados à inclusão. Entre os planos estão coreografar sua primeira obra no país e expandir as ações do Blacks in Ballet, organização voltada ao apoio de bailarinos negros. “Meu grande sonho é ver o mundo da dança com mais diversidade, sem que a gente precise continuar discutindo os mesmos temas o tempo todo”, afirmou.
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