Mudanças climáticas: Ministério da Saúde lança plano para enfrentar El Niño

Mudanças climáticas: Ministério da Saúde lança plano para enfrentar El Niño

5 min de leitura 5 visualizações Fonte original

O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (30), um conjunto de medidas para preparar o SUS (Sistema Único de Saúde) para os impactos do El Niño 2026-2027

O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (30), um conjunto de medidas para preparar o SUS (Sistema Único de Saúde) para os impactos do El Niño 2026-2027 e das mudanças climáticas.

O plano, que está inserido no programa AdaptaSUS, prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035 para aumentar a capacidade de resposta da rede pública diante de eventos climáticos extremos.

O El Niño teve início neste mês de junho e é definido como um padrão climático periódico no Oceano Pacífico tropical que altera os ventos e deixa as águas excepcionalmente quentes no Pacífico central e oriental. Essas mudanças nos ventos e nas temperaturas oceânicas têm efeitos em cascata nos padrões climáticos em todo o mundo.

Segundo a pasta, o programa será baseado em cinco frentes: vigilância e alertas, coordenação entre governos, comunicação com gestores e população, fortalecimento da capacidade de atendimento e reforço de medicamentos, vacinas, água potável e outros insumos. O plano também prevê a criação de um painel permanente de especialistas para orientar as ações do governo.

Leia Mais

 

Entre as iniciativas anunciadas está o lançamento do Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá emitir alertas com até cinco dias de antecedência para todos os municípios brasileiros, integrando dados meteorológicos e indicadores de vulnerabilidade social. O objetivo é antecipar riscos e permitir que estados e municípios organizem o atendimento antes do início das ondas de calor.

O investimento também prevê a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima (CISC) distribuídos pelas cinco regiões. Segundo a pasta, as unidades irão reunir informações sobre clima, saúde e vulnerabilidade social para orientar respostas rápidas do SUS.

El Niño virá mais forte; veja impactos e áreas que devem ser mais afetadas

O primeiro centro será inaugurado em Salvador (BA) nesta quarta-feira (1). Além do CISC, o ministério também lançará a base regional da Força Nacional do SUS na Bahia.

Com o programa, a Força Nacional do SUS será expandida para oito bases regionais. Segundo a pasta, a descentralização permitirá ampliar em até 20 vezes a capacidade de pronta resposta em desastres e emergências sanitárias.

Na área de pesquisa, o governo lançou a maior edição do PET-Saúde Clima, com 197 projetos, 12,6 mil bolsas e investimento de R$ 266 milhões para financiar soluções voltadas aos impactos das mudanças climáticas nos estados.

O plano também inclui orientações específicas para proteger idosos durante períodos de calor extremo, além da adoção nacional do protocolo desenvolvido em parceria entre o Ministério da Saúde, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

Impactos do El Niño

No segundo semestre de 2026, o Brasil deve enfrentar a formação de um fenômeno que especialistas chamam de “super El Niño”. De acordo com informações divulgadas, o evento pode causar impactos no clima do planeta que podem durar até o ano de 2027.

Para Claudio de Brito Neri, professor de Geografia do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, apesar do fenômeno parecer distante do dia a dia, ele impacta a vida de milhões de brasileiros.

“Isso fica claro quando analisamos períodos anteriores, em que suas consequências foram desde problemas na produção de alimentos até crises no abastecimento de água e enchentes”, disse.

Na região Norte, a expectativa é de seca e redução no volume de chuvas, o que faz com que os rios baixem de nível, dificultando o transporte de pessoas e mercadorias. As comunidades ribeirinhas são as primeiras a sofrer com a dificuldade de acesso a alimentos, medicamentos e atendimento médico. Outro fator preocupante é que o clima mais quente e seco aumenta a incidência de queimadas e incêndios florestais.

No Nordeste, a consequência é a redução das chuvas e a escassez de água. Com menos precipitações, os reservatórios recebem menor volume hídrico, o que afeta o abastecimento e a produção agrícola. A maior intensidade do calor também aumenta o risco de incêndios em áreas de vegetação.

No Centro-Oeste, os efeitos tendem a ser menos intensos, porém o aumento da temperatura também reduz a umidade do ar, cenário que favorece queimadas. Algumas áreas podem, no entanto, registrar chuvas dentro da média, elevando a umidade do solo.

A região Sudeste apresenta histórico mais variável: há locais com chuvas intensas e outros com períodos prolongados de estiagem e predominância de calor, fenômeno conhecido como “veranico”. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória podem registrar ondas de calor mais intensas que o normal, o que aumenta o consumo de energia elétrica.

A região tradicionalmente mais afetada no Brasil é o Sul, onde o principal efeito é o excesso de chuva, com enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra. Os três estados (PR, SC, RS) costumam enfrentar temporais mais frequentes e chuvas acima da média.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

Fonte original: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/mudancas-climaticas-ministerio-da-saude-lanca-plano-para-enfrentar-el-nino/
Salvar WhatsApp X

Comentários

Seja o primeiro a comentar!

Entre na sua conta para comentar.

Entrar Criar conta

Leia também

Próxima notícia

30 de jun. de 2026

Governo cria grupo de trabalho para monitorar El Niño no agro

Fique por dentro das notícias

Receba os melhores conteúdos diretamente no seu e-mail.

💡 Sugestões