Julius Baer caminha para normalizar operações após escândalo envolvendo magnata austríaco
A banco suíço Julius Baer Group Ltd. caminha para a normalização de suas operações após mais de dois anos lidando com as consequências de prejuízos ligados ao m

A banco suíço Julius Baer Group Ltd. caminha para a normalização de suas operações após mais de dois anos lidando com as consequências de prejuízos ligados ao magnata austríaco do setor imobiliário Rene Benko. Após encerrar linhas de negócios, demitir funcionários e revisar minuciosamente sua carteira de clientes, executivos do banco sediado em Zurique preparam agora medidas para retomar o crescimento, segundo pessoas a par do assunto. Entre essas medidas está o fim da proibição de aceitar certas categorias de clientes de maior risco — as chamadas pessoas politicamente expostas —, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas ao discutir questões privadas. Leia também: UBS critica banco central da Suíça por relatório 'enganoso' sobre regras de capital Essa mudança é apoiada pelos avanços na conclusão de uma investigação da reguladora suíça Finma, processo que dominou os 18 meses de gestão do CEO Stefan Bollinger. Fontes internas consideram que o procedimento — desencadeado por falhas no controle de risco que levaram a prejuízos de US$ 700 milhões em empréstimos para as empresas de Benko — já está em suas etapas finais na prática. Espera-se que o encerramento formal do processo, que permitiria ao Baer retomar a recompra de ações, ocorra no segundo semestre deste ano, dependendo da decisão final da reguladora, disseram as fontes. As ações do Julius Baer ampliaram os ganhos com a notícia, fechando o pregão desta quinta-feira em alta de 2,86%, a 71,84 francos suíços, na Bolsa de Zurique. "O Julius Baer continua a implementar a estrutura de risco e compliance do grupo, que foi amplamente revisada", disse um porta-voz do banco. "Estamos adotando uma abordagem proativa e transparente e trabalhando de forma construtiva com a Finma para encerrar o assunto em tempo hábil. Quaisquer suposições sobre o resultado ou o prazo do processo administrativo são pura especulação neste momento." A Finma não quis comentar a investigação. Com suas operações fortemente voltadas para a gestão de patrimônio tradicional em escala global, os gerentes de relacionamento do Baer em diversas regiões viram sua atuação limitada por restrições à captação de novos clientes, em meio a uma revisão da carteira de clientes impulsionada por Bollinger e pelo presidente do conselho, Noel Quinn. Em algumas regiões, a proibição de aceitar PEPs — pessoas com alto patrimônio que, devido a cargos ou conexões, apresentam maior risco de envolvimento em corrupção — pode prejudicar a geração de novos negócios. O Julius Baer é a principal gestora de patrimônio independente listada na Suíça, com mais de US$ 500 bilhões em ativos sob gestão. No entanto, o colapso do império imobiliário de Benko revelou que o banco havia concedido empréstimos que somavam centenas de milhões de dólares a praticamente um único cliente. As baixas contábeis decorrentes desse episódio custaram o cargo do então CEO, Philipp Rickenbacher, bem como o de outros executivos de alto escalão. Um programa de reestruturação de vários anos tem marcado a gestão de Bollinger até o momento — contando com amplo apoio dos investidores, o que fez as ações subirem cerca de 12% neste ano. Ainda não está claro se o Baer enfrentará penalidades ou novas restrições em decorrência da investigação da Finma. Embora o órgão regulador não tenha poder para aplicar multas punitivas, ele pode confiscar lucros obtidos ilegalmente e proibir indivíduos de atuar no setor. Na esteira do escândalo envolvendo Benko, o Julius Baer encerrou a unidade de negócios de dívida privada responsável pelos empréstimos e reorganizou sua estrutura de controle de risco. A revisão da carteira de crédito, realizada por uma entidade externa, coincidiu com a decisão do banco de encerrar totalmente o relacionamento com algumas categorias de clientes. Em dezembro, a Bloomberg noticiou que o Baer havia comunicado a clientes com saldos menores que deveriam aumentar os recursos mantidos na instituição ou buscar outra alternativa. Os bancos privados suíços têm enfrentado um período de maior escrutínio desde o colapso do Credit Suisse em 2023 e uma série de outros escândalos relacionados à lavagem de dinheiro. A divisão de private banking do britânico HSBC sediada em Genebra encerrou o relacionamento com mais de 1.000 clientes do Oriente Médio em 2025. Esse processo de saneamento impactou a lucratividade do Baer, e a entrada de novos recursos de clientes também desacelerou nos primeiros quatro meses deste ano. Em maio, o banco afirmou que ainda projeta um lucro "substancialmente maior" para o primeiro semestre de 2026 em comparação com o ano anterior.
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