Ibovespa recua pressionado pela alta dos juros futuros, de olho em dados de trabalho
O Ibovespa recua nesta terça-feira (30), com a maior parte das ações em queda, em linha com o desempenho dos mercados acionários emergentes. Os juros futuros av

O Ibovespa recua nesta terça-feira (30), com a maior parte das ações em queda, em linha com o desempenho dos mercados acionários emergentes. Os juros futuros avançam e pressionam os papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, enquanto investidores aguardam os dados do Caged de maio para calibrar as apostas na condução da política monetária no Brasil. Além do cenário macroeconômico, o movimento de rotação de ações de valor para crescimento segue impulsionando Wall Street e reduzindo o apetite pelo mercado brasileiro, que já vem sofrendo com sucessivas retiradas de recursos por investidores estrangeiros. Por volta das 13h10, o Ibovespa caía 0,70%, aos 172.017 pontos, após oscilar entre os 170.538 pontos e os 173.205 pontos. O volume financeiro projetado para o Ibovespa era de R$ 13 bilhões. No exterior, o Nasdaq subia 1,30%, Dow Jones ganhava 0,32% e o S&P 500 tinha alta de 0,69%. As ações ordinárias da Vale recuavam 0,27%, ao passo que os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras cediam 0,37% e 0,73%, respectivamente. No setor de bancos, o papel ON do Banco do Brasil perdia 1,58% e a PN do Bradesco caía 0,94%. Entre as quedas mais representativas, Braskem PNA cedia 4,54%, após o J.P. Morgan rebaixar a recomendação do papel de compra para neutra, destacando que o processo de reestruturação passou a ofuscar os fundamentos da petroquímica. O banco ainda cortou o preço-alvo para os papéis pela metade, de R$ 15 para R$ 7,50. Na sequência, Assaí ON perdia 4,11% e RD Saúde perdia 4,08%, pressionadas pela alta dos juros futuros. Mesmo com as incertezas nas negociações definitivas de paz no Oriente Médio, a trégua entre EUA e Irã abre espaço para os dados macroeconômicos nesta terça-feira. Diante do alívio nas pressões inflacionárias globais com a reabertura do Estreito de Ormuz e a queda dos preços do petróleo, o mercado concentra as atenções nos dados do mercado de trabalho, para entender os próximos passos dos bancos centrais. Nos Estados Unidos, o relatório Jolts mostrou que o número de vagas de trabalho ficou em 7,6 milhões em maio, praticamente inalterado com relação ao número revisado de abril, ainda mostrando resiliência. No entanto, o relatório oficial de empregos (“payroll”) a ser divulgado na quinta-feira deverá dar o tom dos próximos passos do Federal Reserve (Fed). Já no Brasil, o saldo de empregos formais em maio deve ter sido de 120 mil, segundo a mediana das instituições ouvidas pelo Valor Data, com estimativas que variavam de 38,19 mil a 175 mil. Os dados serão divulgados às 14h. Em meio às incertezas com a trajetória de juros, o co-gestor de renda variável da ARX Investimentos, Alexandre Sant’Anna, avalia que um vetor necessário para a bolsa voltar a atrair recursos estrangeiros é a manutenção dos juros americanos, considerada por ele o cenário mais provável. “O catalisador necessário é o Fed não subir os juros, enquanto um catalisador ‘suficiente’ é o BC continuar a reduzir os juros. Com a volta dos preços do petróleo, acho que o Banco Central deveria manter o ciclo de queda da Selic”, afirma. Nesse contexto, Sant’Anna avalia que a perspectiva ainda é de enfraquecimento do dólar globalmente. Porém, se houver um eventual fortalecimento da moeda americana, o efeito para o Brasil não deve ser tão negativo como antes, já que a bolsa local está descontada, diz. A retomada dos fluxos de capital estrangeiro, no entanto, deve ser mais “gradual”, como aconteceu no ano passado, e não “esquizofrênica” como ocorreu nas primeiras semanas deste ano, defende Sant’Anna. Em junho, os investidores estrangeiros acumulam saques de R$ 8,7 bilhões em ações da bolsa brasileira, mas ainda mantêm saldo positivo de R$ 32,8 bilhões no ano. Entre as maiores altas da sessão, as ações ordinárias da Natura subiam 3,61%, mantendo o momento positivo para o papel por oito sessões consecutivas.
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