El Niño deve fazer governo elevar projeção para inflação neste ano
Débora Freire: portabilidade pode atrair bancos para Desenrola Adimplentes Wenderson Araujo/Valor O governo deve elevar sua projeção de inflação deste ano por c

Débora Freire: portabilidade pode atrair bancos para Desenrola Adimplentes Wenderson Araujo/Valor O governo deve elevar sua projeção de inflação deste ano por causa dos efeitos do El Niño, segundo a secretária da Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire. A estimativa hoje é de 4,5%. A tendência é de elevação, mesmo diante do acordo entre EUA e Irã, que trouxe o preço do barril de petróleo para próximo dos níveis pré-guerra. Por outro lado, as estimativas para o crescimento econômico e para a arrecadação não devem ser alteradas. Atualmente, a meta de inflação é de 3%, podendo variar até 1,5 ponto. Assim, o aumento da projeção levará à superação da margem de tolerância. “Em termos do IPCA, a nossa projeção está com viés de alta”, disse Freire ao Valor. “Na última [grade de parâmetros macroeconômicos] estávamos com 4,5%, revisamos para cima e continua com viés de alta para a próxima grade, por causa do El Nino e de questões estruturais da oferta.” É esperada pressão de alta nos preços do arroz e do feijão, porque a área plantada foi reduzida. Além disso, carne e leite devem ser impactados pelo chamado “ciclo do boi”, uma variação de preços decorrente do manejo dos rebanhos. Em relação aos efeitos do fim do conflito no Oriente Médio sobre a política fiscal, ela afirmou que a queda das receitas decorrente da redução do preço do petróleo não preocupa, já que um Brent mais baixo fazia parte do cenário considerado na elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. “Antes desse conflito, a gente já tinha um cenário de cumprimento da meta, um cenário fiscal organizado”, disse. Ela acrescentou que o governo não trabalha com uma folga fiscal caso o Brent permaneça numa média em torno de US$ 70 por barril, patamar atual. Quanto ao impacto sobre o PIB, ela afirmou que ainda não há um número fechado, mas que o cenário continua estável, próximo de 2,3%, podendo ficar “um pouco maior ou um pouco menor’. Segundo ela, o efeito positivo sobre a atividade decorrente do estímulo à produção e às exportações de petróleo já foi incorporado às projeções. Governo não trabalha com uma folga fiscal caso o Brent permaneça na média atual de US$ 70 por barril, afirma Freire Ela ressaltou, contudo, que o cenário ainda é permeado por incertezas e que será preciso avaliar se o acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio se consolidará. Na sua avaliação, o fim da guerra tende a ser positivo para a economia brasileira por contribuir para reduzir as tensões nos mercados financeiros globais. “Vimos que o conflito levou à elevação das taxas de juros nas principais economias avançadas, e uma solução para esse conflito tende a distensionar esse cenário. Para a gente, em termos de fluxos de capitais, é positivo”, disse. Sobre um eventual novo “tarifaço” pelos EUA contra o Brasil, embora a possibilidade gere alguma preocupação, o impacto esperado sobre a atividade econômica e a inflação não é tão elevado, inclusive pela experiência do Brasil com o primeiro tarifaço, afirmou Freire. Questionada sobre o Desenrola Adimplentes - programa de renegociação de dívidas para informais -, a secretária avalia que a possibilidade de portabilidade dos clientes para os bancos públicos pode incentivar a adesão dos bancos privados ao programa. Até o momento, somente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal manifestaram interesse em aderir à iniciativa anunciada na segunda-feira (29) pelo governo. Há uma resistência de bancos privados, devido à baixa taxa de juros, de até 1,99% ao mês, para um perfil de cliente que tem alto risco de crédito, por não ter renda formal. “A própria portabilidade pode incentivar a adesão de outras instituições, porque, à medida que uma instituição financeira oferece um crédito com a taxa de juros de até 1,99% ao mês, pode acontecer esse incentivo de a pessoa pegar uma dívida mais barata para quitar a dívida mais cara”, explica Freire. Mesmo que isso não aconteça, ela acredita que o programa pode alcançar entre 200 mil a 500 mil trabalhadores informais somente com a adesão da Caixa e do BB. A expectativa é que nas próximas semanas saia a regulamentação do Desenrola Adimplentes via Conselho Monetário Nacional (CMN). A secretária também disse que o governo optou por colocar juros de até 1,99% ao mês para oferecer aos informais uma isonomia em relação aos demais programas de crédito do governo. “É um público que a gente ainda não atendia por meio de linhas de crédito subsidiadas ou de crédito garantido. Eles pegam um crédito mais caro lá fora.” Ela também disse que o número de trabalhadores informais está crescendo, o que demandará medidas futuras para atender esse público de maneira estrutural, já que o Desenrola é uma medida pontual para este ano. “Restrição de crédito é um problema econômico muito relevante e esse programa abre uma discussão importante de possíveis medidas, possíveis programas para tornar mais estrutural o acesso a crédito por parte de informais.”
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