Como Mauricio de Sousa virou enredo de Carnaval e patrimônio cultural de São Paulo

Como Mauricio de Sousa virou enredo de Carnaval e patrimônio cultural de São Paulo

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Fantasias, comissão de frente, carros alegóricos e o Sambódromo do Anhembi lotado. Parece fevereiro, mas estamos em junho. O Carnaval já acabou faz tempo, mesmo

Fantasias, comissão de frente, carros alegóricos e o Sambódromo do Anhembi lotado. Parece fevereiro, mas estamos em junho. O Carnaval já acabou faz tempo, mesmo assim, mais de 30 mil pessoas voltaram à avenida. O motivo? Celebrar os 90 anos de Mauricio de Sousa do jeito mais brasileiro possível: com um desfile digno de escola de samba.

A vida e a obra do criador da Turma da Mônica, universo que reúne mais de 400 personagens, finalmente ganhou uma homenagem à altura de seu legado. Há décadas, Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Chico Bento e companhia são cruciais para a alfabetização de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que apresentam, em histórias simples porém com boas sacadas, diferentes sotaques, culturas e realidades do país.

Não é exagero dizer que muita gente aprendeu primeiro a “ler o mundo” pelos gibis antes mesmo de decifrar as letras. A ideia conversa com um dos conceitos centrais idealizados pelo pedagogo e patrono da educação brasileira Paulo Freire: a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Poucas obras da cultura nacional fizeram isso com tantas gerações quanto a Turma da Mônica.

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Com o objetivo de transformar o legado do maior alfabetizador do Brasil em espetáculo, o desfile reuniu carros alegóricos de até cinco toneladas, esculturas gigantes inspiradas no universo mauriciano, mais de mil profissionais – entre criadores, bailarinos, performers e técnicos –, trilha sonora original e uma plateia que somava crianças, pais e avós com sorrisos deslumbrados e/ou nostálgicos ao rever personagens tão familiares. 

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“Eu tive uma ideia”

A apresentação, batizada de “Dia M” pelo Instituto Maurício de Sousa, se dividiu em 5 atos para contar as nove décadas de vida do quadrinista.

Carro alegórico com um trem dourado, prédios altos ao fundo e pessoas fantasiadas. Um homem de amarelo e shorts azuis está no topo do trem. Outras pessoas fantasiadas de personagens infantis interagem com blocos coloridos e um lápis gigante. A base do carro é decorada com flores e folhagens. Uma arquibancada lotada de pessoas assiste ao desfile sob um céu azul

Tudo começou com o carro “Eu tive uma ideia!”, lema que também entoava na música original tocada durante todo o desfile, relembrando os “eurecas” que foram constantes na mente do cartunista durante a criação de todo o seu universo. 

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Em “Maurício, o menino que imaginava”, as inspirações para ter boas ideias (música, pintura, literatura, cinema, dança, teatro, desenhos) foram reunidas, assim como sua infância junto à avó (que se transportou para os gibis como a Vó Dita de Chico Bento) e a época do criador como repórter policial da Folha de S.Paulo.

Mascote do personagem Franjinha, da Turma da Mônica, sorrindo e acenando com a mão direita, vestido com jaleco branco, camisa vermelha e luvas brancas, em um evento ao ar livre com público ao fundo
<span class="hidden">–</span>Rafael Strabelli/Divulgação
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Até os inúmeros “sins” e “nãos” recebidos ao longo da carreira ganharam uma ala própria, lembrando que o maior universo dos quadrinhos brasileiros não surgiu do nada, e sim foi resultado de uma longa construção. No próximo ato, “O Brasil que Maurício desenhou”, nosso país foi representado de diversas formas: Papa-Capim e Jurema homenageavam os povos originários; Chico Bento, Rosinha, Zé Lelé e a Vila Abobrinha lembravam o interior do país; Hiro e até Tábata, garota amante de mangás e artes marciais, homenageavam a imigração japonesa.

Mascotes do Cascão e da Milena, da Turma da Mônica, em fantasias indígenas coloridas, desfilam de mãos dadas. Cascão, à esquerda, sorri e acena com a mão direita. Milena, à direita, sorri enquanto caminha. Ambos usam colares, pulseiras e tornozeleiras com franjas amarelas e azuis, e saias vermelhas e azuis. Ao fundo, pessoas assistem e um banner azul claro com Desfile Maurício 90 anos e Prefeitura de São Paulo é visível

Denise surgiu como símbolo de mulheres fortes, enquanto Bidu, Floquinho, Monicão, Chovinista e os demais pets dos gibis dividiam espaço com Franjinha e uma ala dedicada à ciência. 

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O momento mais aguardado veio com um enorme carro alegórico reunindo praticamente toda a Turma principal: Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Milena, Luca, Dorinha, Marina, Jeremias, Nimbus, Do Contra e Anjinho apareciam cercados por esculturas gigantes de Sansão, Horácio e Jotalhão. 

Mônica, personagem da Turma da Mônica, fantasiada com cabelo castanho e laços lilás, blusa lilás com estrela branca e saia vermelha, sorri e faz um coração com os dedos. Ela está em um evento ao ar livre, com pessoas e palmeiras ao fundo
<span class="hidden">–</span>Rafael Strabelli/Divulgação

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Fonte original: https://super.abril.com.br/cultura/como-mauricio-de-sousa-virou-enredo-de-carnaval-e-patrimonio-cultural-de-sao-paulo/
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