‘A inveja influencia muitas das minhas escolhas’: como  Seth Rogen conquistou respeito em Hollywood

‘A inveja influencia muitas das minhas escolhas’: como Seth Rogen conquistou respeito em Hollywood

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Seth Rogen e Olivia Wilde interpretam o casal que quer apimentar a relação em “O convite” Divulgação O canadense Seth Rogen recorre a um termômetro peculiar na


Seth Rogen e Olivia Wilde interpretam o casal que quer apimentar a relação em “O convite” Divulgação O canadense Seth Rogen recorre a um termômetro peculiar na hora de aceitar ou não um trabalho na indústria do entretenimento. “Sempre me pergunto se ficaria bravo ao ver outra pessoa fazendo o papel no meu lugar. Sim, a inveja influencia muitas das minhas escolhas”, conta ao Valor o ator, comediante, diretor, roteirista e produtor de 44 anos, conhecido por fazer da “franqueza sem filtro’’ a sua marca registrada. Rogen se expõe em tudo o que faz nos sets. Seja na série “O estúdio”, que vai ganhar uma segunda temporada na Apple TV, ou na comédia “O convite”, a partir do dia 9 de julho nos cinemas. E essa honestidade, transmitida nos diálogos informais e até improvisados de seus personagens, provavelmente o ajudou na bem-sucedida transição para garantir o respeito desfrutado hoje em Hollywood. Projetado em meados dos anos 2000 com comédias escrachadas, como “Superbad - É hoje!’’ (2007) e “Ligeiramente grávidos” (2007), seus personagens eram tipos irresponsáveis que só pensavam em bebidas, drogas e sexo. Aos poucos, no entanto, Rogen ampliou o seu alcance, ao abrir uma produtora, a Point Grey Pictures, em 2011, e ao refinar o seu humor (como roteirista e ator), o que resultou em sátiras mais contundentes, inclusive sobre a meca do cinema. Como criador, ator e produtor da série “O estúdio”, Rogen lança um olhar ácido sobre as maquinações nos estúdios de Hollywood. E no filme “O convite”, dirigido por Olivia Wilde, o ator ajuda a trazer à tona as verdades mais desconfortáveis de um casal à beira da separação. “A conexão com o material sempre me permite correr maiores riscos criativos. Não ligo para o que as pessoas vão pensar, já que sei o que estou fazendo”, diz o ator, que nunca se importou em brincar nos sets com as suas inseguranças diante do espelho, por exemplo. Desde que debutou nas telas, acima do peso ideal para os padrões da indústria, Rogen sempre usa o físico como combustível para a autoparódia, mesmo atualmente, após os 13 quilos perdidos para as filmagens de “O Besouro Verde” (2009). “Só para ficar claro: eu também participo [da orgia]?”, pergunta o seu personagem em “O convite”, posando de patinho feio diante de Penélope Cruz, Edward Norton e Olivia Wilde. Na cena, os personagens dos outros três atores, costumeiramente requisitados para papéis atraentes, conversam sobre uma possível troca de casais. Não se trata de spoiler, considerando que a proposta de swing é revelada no trailer do filme, que saiu como um dos queridinhos da crítica do último Festival Sundance. Apimentar a relação é uma tentação aqui, já que o casamento da dupla interpretada por Rogen e Wilde está por um fio. Cada palavra ou ação de um parceiro, por menor que seja, parece desencadear irritação, frustração e ressentimento no outro. Inspirado na comédia espanhola “Sentimental” (2020), de Cesc Gay, o roteiro explora com sagacidade, honestidade e humor o desgaste de um casamento, principalmente a incomunicabilidade. E quando os cônjuges finalmente põem para fora o que sentem, a casa quase cai. Casais em relacionamento longo podem se reconhecer no filme, sobretudo quem já se pergunta se não é melhor acabar com tudo. “Do ponto de vista cômico, eu me saio melhor em situações de tensão e pressão, vivendo aquela inquietude de quem sente a iminência do desastre”, conta Rogen, que também alimenta essa energia nervosa em “O estúdio’’. Lançada no ano passado, a produção conquistou mais de 60 prêmios, incluindo os de melhor série de comédia e de melhor ator (para Rogen) entregues tanto no Globo de Ouro quanto no Primetime Emmy. “Quem não pertence à indústria pode pensar erroneamente que tudo é exagerado”, afirma Rogen, que atira para todos os lados na hora de fazer piada. No seu alvo estão os egos de executivos, dos cineastas e dos astros, a ganância dos estúdios, a obsessão por franquias e o desespero para cumprir as cotas de diversidade e representatividade. Tudo parece comprometer o que deveria ser a prioridade dos estúdios: a qualidade dos filmes. “Claro que levamos as situações a um patamar mais cômico, indo além do cotidiano na indústria. Mas os enredos, os conflitos e os dilemas são baseados no que vi acontecer”, comenta Rogen, dedicado atualmente à segunda temporada, com estreia apontada para o fim do ano ou início de 2027. Serão mais dez episódios com o ator na pele do chefe do fictício Continental Studios. Apesar do desejo genuíno de realizar obras-primas, ele acaba sempre forçado a tomar decisões que buscam o lucro. Um dos episódios vai abordar o Festival de Cinema de Veneza, evento visitado pelo criador da série no ano passado, em busca de locações e ideias. Rogen bancou o jornalista, participando de coletivas de imprensa, fotografando o tapete vermelho, registrando a reação da plateia ao final das sessões de gala e frequentando as festas. Até o diretor artístico do festival italiano, Alberto Barbera, fará um participação na nova temporada, que terá ainda Madonna e Michael Keaton como convidados. “O aspecto mais interessante e desafiador para mim é transformar qualquer que seja o assunto em algo engraçado. A ideia é sempre explorar até onde podemos ir e qual o tipo de humor possível de ser extraído das situações, sem comprometer a veracidade delas”, diz Rogen, para quem nem o Alzheimer é um tabu na comédia. Sua produtora é responsável por “Tangles”, uma animação que retrata como o diagnóstico de Alzheimer precoce de uma professora de 50 anos afeta a sua família. Rogen também é um dos dubladores (ao lado de Julia Louis-Dreyfus e Bryan Cranston) no título que teve première mundial na recente 79ª edição do Festival de Cannes. Ainda sem data para estrear no Brasil, “Tangles” saiu aclamado do evento francês, já como uma das apostas para o Oscar de melhor animação do ano. “Mergulhar na realidade aqui foi fundamental. Por isso, nós nos cercamos de pessoas com experiência e intimidade com o assunto, para que não tivéssemos medo de levar as situações ao extremo”, comenta Rogen, que conviveu com a doença na família. Depois que a mãe e os avôs de sua esposa, a produtora Lauren Miller Rogen, morreram com Alzheimer, o casal fundou a Hilarity for Charity, organização criada para conscientizar sobre a doença e arrecadar fundos para assistência domiciliar. “Se ninguém tivesse passado por isso, teríamos discutido até que ponto seria desrespeitoso fazer o espectador rir aqui”, conta Rogen, referindo-se sobretudo ao estresse da família ao cuidar de paciente perdendo a memória, o que inclui contratempos na hora de usar o banheiro. “Só quem já viveu isso sabe como é. E por ser verdadeiro, não é ofensivo. É como se, depois de testemunhar as coisas mais surreais, você conquistasse o direito de atravessá-las de uma forma criativa.”
Fonte original: https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2026/07/02/a-inveja-influencia-muitas-das-minhas-escolhas-como-seth-rogen-conquistou-respeito-em-hollywood.ghtml
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